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29 NOVComitê Científico

Exercícios físicos e resistência às doenças

Fonte:

Prof. Dr. Turibio Leite de Barros Neto



A relação entre exercício e maior ou menor incidência de doenças abre uma nova polêmica que promete capítulos cada vez mais interessantes.

Recentemente o Dr. Kenneth Cooper esteve no Brasil e deflagrou uma verdadeira cruzada de alerta contra os eventuais riscos do excesso de exercícios físicos. 

Logo ele, que no final da década de 60, tornou-se o pioneiro na indicação da corrida como forma de implementar a saúde. Hoje, o termo Cooper já não se identifica mais com corrida. O autor do método já sugere que caminhar é melhor que correr. 

A preocupação do médico americano é com os efeitos deletérios provocados pelos chamados “radicais livres”. 

Estes radicais químicos possuem um poder oxidante sobre a membrana das células, podendo potencialmente provocar danos a saúde e segundo a teoria ortomolecular serem inclusive agentes causadores de câncer. 

Como os radicais livres são produzidos pelo metabolismo oxidativo, ou seja, pelo consumo de oxigênio postula-se uma relação direta entre o excesso de exercícios (excesso de consumo de oxigênio) e um maior efeito deletério dos radicais livres. 

De acordo com este raciocícnio, o excesso de exercícios poderia inclusive aumentar a suscetibilidade às doenças, sendo inclusive um potencial causador de câncer. É oportuno aqui não fazer desta teoria uma forma de terrorismo, assustando as pessoas, com a possibilidade do exercício causar doenças! 

Seria um perfeito contra-senso derrubando todo esforço que se faz atualmente para indicar a vida ativa como a principal forma de preservar saúde e prevenir doenças.

A este respeito um grupo de pesquisadores americanos publicou uma excelente revisão científica do assunto à apenas 2 meses atrás.

A conclusão básica do trabalho é aquela que qualquer pessoa de bom senso poderia ter: a falta de exercício torna o indivíduo mais suscetível às doenças do que aquele que pratica atividades regulares. 

Por outro lado, o praticante de exercícios exaustivos torna-se mais suscetível às doenças do que o próprio sedentário. 

Em termos quantitativos, o indivíduo que faz atividades físicas moderadas pode ter 30% à mais de resistência às doenças do que o sedentário. 

Por outro lado, o praticante de exercícios intensos pode ter até 50% a menos de resistência imunológica do que o sedentário. Em resumo, exercício faz bem mas depende da dose!

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