
Prof. Dr. Turibio Leite de Barros Neto
A relação entre exercício e maior ou menor incidência de doenças abre uma nova polêmica que promete capítulos cada vez mais interessantes.
Recentemente o Dr. Kenneth Cooper esteve no Brasil e deflagrou uma verdadeira cruzada de alerta contra os eventuais riscos do excesso de exercícios físicos.
Logo ele, que no final da década de 60, tornou-se o pioneiro na indicação da corrida como forma de implementar a saúde. Hoje, o termo Cooper já não se identifica mais com corrida. O autor do método já sugere que caminhar é melhor que correr.
A preocupação do médico americano é com os efeitos deletérios provocados pelos chamados “radicais livres”.
Estes radicais químicos possuem um poder oxidante sobre a membrana das células, podendo potencialmente provocar danos a saúde e segundo a teoria ortomolecular serem inclusive agentes causadores de câncer.
Como os radicais livres são produzidos pelo metabolismo oxidativo, ou seja, pelo consumo de oxigênio postula-se uma relação direta entre o excesso de exercícios (excesso de consumo de oxigênio) e um maior efeito deletério dos radicais livres.
De acordo com este raciocícnio, o excesso de exercícios poderia inclusive aumentar a suscetibilidade às doenças, sendo inclusive um potencial causador de câncer. É oportuno aqui não fazer desta teoria uma forma de terrorismo, assustando as pessoas, com a possibilidade do exercício causar doenças!
Seria um perfeito contra-senso derrubando todo esforço que se faz atualmente para indicar a vida ativa como a principal forma de preservar saúde e prevenir doenças.
A este respeito um grupo de pesquisadores americanos publicou uma excelente revisão científica do assunto à apenas 2 meses atrás.
A conclusão básica do trabalho é aquela que qualquer pessoa de bom senso poderia ter: a falta de exercício torna o indivíduo mais suscetível às doenças do que aquele que pratica atividades regulares.
Por outro lado, o praticante de exercícios exaustivos torna-se mais suscetível às doenças do que o próprio sedentário.
Em termos quantitativos, o indivíduo que faz atividades físicas moderadas pode ter 30% à mais de resistência às doenças do que o sedentário.
Por outro lado, o praticante de exercícios intensos pode ter até 50% a menos de resistência imunológica do que o sedentário. Em resumo, exercício faz bem mas depende da dose!