
Prof. Dr. Turibio Leite de Barros Neto
Existem certos conceitos que sempre geram controvérsias na medida em que seu real significado pode ser objeto de diferentes interpretações. Os exercícios relacionados ao conceito de musculação, sem dúvida constituem-se em um exemplo típico desse caso. Quando se fala em musculação, imediatamente se faz a associação com exercícios capazes de produzir efeitos no sentido de aumentar a massa muscular tendo como modelo alguém como um Arnold Schazemegger.
Este exemplo pode parecer um exagero, mas ilustra uma concepção que representa o conceito da grande maioria. Sem dúvida, ao considerarmos esta concepção, ou seja a dos exercícios que provocam hipertrofia muscular geralmente com objetivos estéticos e infelizmente muitas vezes associados ao uso de drogas anabolizantes, estamos caracterizando o inverso do conceito de saúde.
Estes exageros, apesar de satisfazerem objetivos estéticos de alguns, são descritos na literatura médica como capazes de provocar enormes prejuízos à saúde. Sem considerar o que os anabolizantes podem provocar, quando utilizados pelos “levantadores de ferro”, assunto esse que já tem sido bastante discutido, podemos alertar para alguns cuidados.
Quando há exagero na prática de musculação, um órgão vital sofre graves consequências: o coração. Existe na Cardiologia do Esporte um quadro muito conhecido que é o do coração hipertrofiado em consequência do exagero de exercícios de levantamento de peso.
O aumento da espessura da parede do coração é uma alteração que causa grande prejuízo para sua função e se assemelha ao que acontece com o coração do hipertenso grave. Entretanto, apesar do quadro assustador relacionado aos exageros, não podemos deixar de considerar os benefícios que a musculação bem orientada pode trazer. Exercícios com pesos que respeitem os limites individuais de tolerância, por idade, sexo, e principalmente biotipo e herança genética como determinantes de aptidão física, podem inegavelmente ser saudáveis.
Estes exercícios podem ter indicações até terapêuticas, mas devem ser sempre orientados e acompanhados por profissionais competentes. Seus benefícios serão sempre associados à melhora funcional dos grupos musculares exercitados. Do ponto de vista da condição cardio-respiratória, que caracteriza o valor maior em termos de saúde, os exercícios de musculação nunca poderão substituir os chamados exercícios aeróbios como caminhar, pedalar, nadar, correr etc.