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27 DEZComitê Científico

O “footing" nas praças - uma caminhada social

Fonte:
Prof. Dr. Turibio Leite de Barros Neto


A vida nos grandes centros urbanos, tem trazido modificações de hábitos, que infelizmente na maioria das vezes deteriora a qualidade de vida e contribui para maior incidência das doenças associadas ao sedentarismo.

Apesar de ter havido nos últimos anos um grande alento no sentido de concientizar as pessoas sobre a importância da vida ativa, sabemos que na nossa população, cerca de 70% dos indivíduos adultos ainda mantém uma vida sedentária.

Quando procuramos razões para melhor entender este processo, encontramos uma série de fatores determinantes da tendência da população em adotar a “lei do menor esforço” como lema. Na realidade os confortos do desenvolvimento tecnológico também contribuem para este processo, tais como o controle remoto, escadas rolantes, esteiras rolantes em aeroportos etc.

No entanto, certamente não tem sido só a tecnologia que contribui para o padrão de vida sedentário. Devemos também procurar algumas razões no estudo da sociologia das cidades em crescimento para melhor entender este processo. Por razões que os estudiosos do assunto poderiam pesquisar, as pessoas parecem ter modificado hábitos mais ativos e saudáveis em troca de padrões mais “acomodados”.

Um exemplo típico desta mudança, nos parece poder ser lembrado por um hábito que era absolutamente obrigatório, principalmente nas cidades do interior à algum tempo atrás. Os adultos da nossa geração certamente lembram do “footing” realizado algumas vezes por semana nas praças das cidades do interior.

Para quem não vivenciou este hábito, vale lembrar que tratava-se de uma caminhada circular pelas praças, na qual os homens andavam num sentido e as mulheres no sentido contrário. Isto possibilitava que as pessoas se defrontassem cada vez que se cruzassem, ou seja, obrigatoriamente duas vezes à cada volta pela praça.  Obviamente na eventualidade de um interesse mutuo, isto iniciava um eventual relacionamento.

Hoje, pode parecer ridículo para alguns “ressucitar” este hábito. Os tempos são outros, é o que certamente ouviremos. Entretanto, nesta lembrança saudosista existe um ingrediente importante da influência do crescimento urbano e do desenvolvimento tecnológico na qualidade de vida.

 

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