
A preparação física no futebol ganha, cada vez mais, subsídios para se desenvolver em termos de individualidade e especificidade.
Quando se fala em desenvolvimento da preparação física, fica sempre no ar o questionamento de até que ponto não estamos nos preocupando demais com o preparo físico em detrimento daquilo que de mais bonito existe no futebol que é o talento, a arte de uma jogada de efeito, o drible, ou seja a técnica desse esporte.
De fato, o exagero nos treinamentos físicos poderia, em tese, até prejudicar o ponto forte dos jogadores brasileiros que é exatamente a técnica. Esse prejuízo poderia tanto ser decorrente de falta de tempo para os treinamentos táticos, como de uma sobrecarga física exagerada, levando à maior incidência de lesões, ou até como alguns críticos já abordaram, à uma “robotização” dos nosso artistas da bola.
Na realidade, individualizar a preparação física, significa ao contrário, respeitar este talento natural dos nossos jogadores, adaptando o programa de preparação às suas características físicas geneticamente herdadas, e principalmente à maneira de jogar, que será o resultado da orientação tática e da sua própria espontaneidade.
É óbvio que para se individualizar o treinamento tornam-se necessárias duas abordagens até certo ponto distintas:
- 1º. Uma adequada avaliação física, capaz de fazer o correto diagnóstico das diferentes qualidades físicas do atleta, comparadas a padrões de referência com validade científica
- 2º. Uma análise individual do desempenho do atleta no jogo, estabelecendo seus padrões típicos de deslocamento, como por exemplo a distância total percorrida, a porcentagem dessa distância correspondente à andar, trotar e correr durante os 90 minutos, número de “piques” de velocidade, distância média de cada pique etc.
Quando reunimos estas diferentes informações de cada atleta e observamos o conjunto desses dados, torna-se evidente a enorme diferença entre um atleta e outro, tanto no que diz respeito à aptidão física, quanto à maneira de se envolver fisicamente no jogo.
O programa ideal de treinamento, seria portanto aquele elaborado “sob medida” para o atleta, respeitando essas características e necessidades individuais. Isso significa que deveríamos ter um preparador físico para cada jogador? É claro que não chegaríamos a tanto, porém a necessidade do programa ser individualizado é cada vez mais óbvia.
Esta atitude irá possibilitar investir menos tempo na preparação física com cada jogador, pois o tempo será melhor aproveitado. Além disso, estaremos capacitando o atleta a melhor manifestar seu talento, pois estaremos respeitando sua maneira de jogar.
Este sem dúvida, é um desafio a ser enfrentado no futuro da preparação física.