
Quais são as causas da obesidade infantil e que consequências este problema pode acarretar em termos de saúde pública?
Este é um tema extremamente atual e muito mais sério do que pode parecer. Existe atualmente um crescimento muito grande dos índices de obesidade infantil na nossa população. As causas deste problema apontam para fatores na maioria das vezes do pleno conhecimento de todos, porém com poucas atitudes e propostas concretas para enfrentá-las.
Nós da geração atual de pais, sentimos mais do que ninguém o quanto nossas crianças são cerceadas em sua liberdade de manifestar espontaneamente sua tendência natural de ser ativo. É com saudosismo e pesar que nos lembramos da nossa infância e da liberdade que uma criança tinha à 30 ou 40 anos atrás. Quase todas as atividades que tínhamos a oportunidade de realizar, eram brincadeiras que apresentavam uma característica comum: o movimento.
Brincar de pega-pega, subir em árvores, correr atrás de balão, jogar bola no terreno baldio, o campinho sempre disponível perto da casa de cada um, eram atividades que faziam parte do dia a dia de qualquer criança. Hoje, infelizmente constatamos que estas brincadeiras foram engolidas pelos grandes centros urbanos, e a liberdade e atividade física das crianças são cerceadas por dois fatores principais: falta de espaço e insegurança.
Do ponto de vista dos fatores predisponentes à obesidade existem ainda alguns agravantes, dos quais poderíamos destacar a sedução dos video-games e computadores e a enorme influência de hábitos alimentares inadequados induzidos pela própria mídia. Hoje, rara é a família que não tem a preocupação com o problema da obesidade em uma de suas crianças.
Atuar contra este sério problema que poderá se constituir num dos maiores flagelos contra a saúde e a qualidade de vida das gerações futuras é obrigação de todos nós. Trata-se de um problema cultural e comportamental que deve ser corrigido dentro de cada família, através de atitudes e exemplos que deverão partir dos próprios familiares.
Quebrar o círculo vicioso do computador - batata frita - televisão - fast food - video game - refrigerante etc não é nada fácil. Não se trata também de impedir que as crianças tenham o direito de usufruir daquilo que elas gostam. Na realidade, trata-se de uma questão de esclarecimento e bom-senso.
O simples ato de quebrar este círculo vicioso com a proposta e o estímulo à prática de atividades físicas para a criança já terá um resultado fantástico. Em uma palestra proferida em São Paulo no último domingo, o Dr. Oded Bar Or, sem dúvida a maior autoridade mundial em pediatria e exercício mostrou um resultado animador a esse respeito.
Em um estudo realizado no Canadá, constatou-se que quando crianças obesas iniciavam um programa regular de atividade física, sua atividade física expontânea realizada fora do período do programa triplicava. Portanto quebrar a vida sedentária da criança será o fator determinante de atacar o problema.
Cabe a nós pais, propiciar este estímulo, nunca esquecendo que a vontade da criança deve ser o fator determinante da escolha da forma de atividade física a ser desenvolvida.