
Prof. Dr. Turibio Leite de Barros Neto
Uma boa notícia: a prática do tão conhecido video-game pelas crianças não é tão perniciosa em termos de inatividade física quanto pensávamos. Um trabalho apresentado no Congresso Anual do Colégio Americano de Medicina Esportiva estudou exatamente este problema.
Pesquisadores da Universidade de Miami avaliaram 20 crianças de idade entre 8 e 10 anos jogando um video-game convencional. Durante o jogo, as crianças eram monitorizadas, tendo sido medidos índices fisiológicos como gasto de calorias, freqüência cardíaca, pressão arterial, além de glicose e ácido láctico no sangue.
Talvez para surpresa dos pesquisadores, os resultados obtidos foram absolutamente diferentes do que se poderia considerar uma atividade sedentária. A freqüência cardíaca das crianças aumentava de 87 para 114 batimentos por minuto.
A pressão arterial aumentava levemente e a respiração duplicava. O gasto de energia era 2 vezes maior do que em repouso. Se, em repouso, as crianças tinham um gasto calórico de 44 calorias por hora, jogando video-game passavam a gastar cerca de 90 calorias por hora.
Do ponto de vista fisiológico, essa é uma situação caracterizada como de um exercício leve porém, como constatado pelos pesquisadores, até considerada significativa do ponto de vista calórico.
Por outro lado, não havia nenhuma alteração nos níveis de glicose e de ácido láctico no sangue, o que descarta qualquer suspeita de “stress” ou desgaste físico.
A preocupação de não se substituir o exercício regular
Apesar destas informações serem consideradas surpreendentes e interessantes fica, neste momento, uma óbvia preocupação de não se pensar em substituir a atividade física natural pela prática do video-game.
Como vimos, trata-se de um efeito considerado leve em termos de exercício e, portanto, insuficiente fisiologicamente para sozinho promover os benefícios necessários a saúde.
No entanto, não deixa de ser uma boa notícia no momento em que a obesidade e o sedentarismo tanto ameaçam a saúde das crianças de hoje.